O dramaturgo, ator e diretor Paulo Palado adaptou o conto O Grande Viúvo, de Nelson Rodrigues, com uma inusitada proposta. Todo o desenvolvimento da trama acontece em um local completamente escuro, fazendo com que o público tenha que utilizar outros sentidos, como olfato, tato, paladar e audição, para compreender a história.
Com cinco atores, três deles cegos, mais quatro músicos, a montagem cumpre a promessa de inserir o espectador no universo dos deficientes visuais. Completamente no escuro, os atores interpretam em meio aos espectadores, circulando por corredores entre as cadeiras.
A trama traz a história de um viúvo que, após perder sua esposa, comunica à família que também quer morrer e ser enterrado junto à amada. Para isso, vai construir um mausoléu. A família, inconformada, tenta a todo custo dissuadi-lo do suicídio, e tem apenas o tempo da construção do mausoléu para convencê-lo a desistir. Enfim, encontra uma forma inescrupulosa, inventando calúnias sobre a falecida, para evitar a tragédia. Mas o resultado disso tudo acaba sendo totalmente inesperado para todos.
O espetáculo tem como objetivo inserir o público no universo dos deficientes visuais, que se utilizam dos outros quatro sentidos, somados à intuição, para compreenderem o mundo ao seu redor. Durante a peça, sons, vozes e cheiros chegam aos espectadores vindos sempre de locais diferentes, dando a sensação de que eles estão realmente inseridos no ambiente cênico. Tais sensações serão o caminho para a compreensão da trama, mesmo ela ocorrendo completamente no escuro.

O que: Teatro Cego – O Grande Viúvo
Onde: Tucarena – Teatro da PUC-SP: Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes, SP – (11)
Quando: de 14 de junho à 28 de julho de 2013
Horário: sextas às 21h30, sábados às 21h e domingos às 19h
Espetáculo não recomendado para menores de 14 anos
Veja abaixo depoimento dos atores da peça falando sobre a experiência de atuação no Teatro Cego.
“Muitas pessoas dizem que os olhos são as janelas da alma. A mim foram tiradas as possibilidades de enxergar ‘através dessas janelas. Mas isso nunca significou que outras portas e portões não fossem abertos na minha vida”. Giovanna Maira, cantora lírica, atriz e deficiente visual
“Um ator com deficiência vai sempre assumir essa condição no seu personagem. Já no Teatro Cego, isso é muito diferente, é muito louco pra mim, porque eu faço o papel de uma pessoa que enxerga. A plateia também não tem como saber na hora que ator enxerga e que ator não enxerga, e isso é bem divertido”. Sara Bentes, cantora, atriz e deficiente visual
“Quando as luzes se apagam, nós somos todos iguais”. Paulo Palado, ator e diretor da peça.