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José Dimas desenvolveu a máquina para o filho Hugo, de 16, que tem paralisia cerebral (imagens: site G1) |
A ideia do simulador veio depois que Dimas encontrou na internet um equipamento feito na Argentina por um mecânico para o próprio filho. O ambulante pensou em comprá-lo, mas custaria US$ 30 mil. Mesmo não tendo conhecimentos de mecânica, o pai de Hugo tinha o mesmo combustível que o pai argentino: o desejo de ver o filho caminhando. Investiu R$ 2,5 mil, trabalhou duro no projeto durante vários meses com a ajuda de amigos, até que o aparelho finalmente ficou pronto.
Após tanto esforço, o pai ainda precisava pedir a aprovação dos médicos para que o filho pudesse usar o equipamento.”Estava com medo dos médicos recusarem, mas toda a equipe olhou a foto que levei no dia da consulta e gostou”, lembra ele. Assim que Hugo se recuperou de uma cirurgia feita no joelho, em julho deste ano, foi liberado para voltar às sessões de fisioterapia e estrear o simulador.
Em pouco tempo de uso todo o esforço já vem dando resultado. De acordo com Silvio Massaki Igarasi, fisioterapeuta que acompanha Hugo, o jovem tem respondido bem ao tratamento, sem dores nas pernas, e com resultados positivos. “Nas últimas vezes ele está sentindo as pernas formingando, o que no caso dele é um sinal de que os nervos estão melhorando a sensibilidade. Depois disso, vem o estímulo motor e a contração muscular. Aí estamos perto para ele conseguir andar”, explica o profissional.
Hugo está animado com o tratamento: “Estou andando pela quarta vez já. Nunca fiz isso. É gostoso e diferente, mas muito bom. Quero mais. Não imaginava que andar mexia todas essas partes”, afirma Hugo.
O fisioterapeuta também lembra que tudo depende das respostas do organismo do paciente aos estímulos, e que é preciso muita persistência. “Tratar o Hugo é bom porque ele é um paciente motivado, que tem força de vontade e procura sempre te ajudar quando precisamos dar uma resposta positiva. Além de tudo, ele tem força para vencer mais essa etapa da paralisia cerebral que é bem complicada. Nem todos os pacientes têm essas respostas que ele está tendo. Ele tem bons resultados apesar da doença, e chances de um dia andar sem muleta. Mas é preciso muito estímulo. Não temos certeza que ele vai ter toda a recuperação que esperamos, mas depende da persistência”, reforça.

Matéria adaptada do site G1 Mogi e Suzano, de 17.11.2013 – assista ao vídeo